Quinta-feira, 21 de  setembro de 2017

Em defesa dos produtores de tabaco

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Escrito por Heitor Schuch  |  Categoria: Artigos
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Por Heitor Schuch
Nesta semana em que celebrou-se o Dia Mundial Sem Tabaco, instituído pela OMS com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos do consumo de cigarro e sua erradicação no mundo, nos deparamos com um ataque brutal e mentiroso sobre quem produz, que são os agricultores em especial os agricultores familiares.

 

Uma reportagem de uma emissora nacional de grande porte mostrou a região do Vale do Rio Pardo como sendo onde os agricultores são os grandes responsáveis pelo desmatamento e pelo esgotamento do solo, entre outras acusações infundadas.
Primeiro, é preciso ressaltar que o fumicultor é antes de tudo um agricultor que tira da terra o seu sustento e o de sua família, produzindo não só o tabaco, mas diversos tipos de alimentos que têm na sua propriedade diversificada.
Segundo, nenhum agricultor planta tabaco por esporte ou por diversão, mas sim porque existe um mercado comprador que o remunera, com valores superiores às outras alternativas de produtos agrícolas. É muito simples converter a produção do tabaco em outras atividades: basta apresentar uma alternativa de produção intensiva em mão de obra e que traga uma remuneração maior do que a que o tabaco proporciona.
Falo com conhecimento de causa, com o conhecimento de quem é agricultor de profissão e já plantou tabaco, de quem sempre pautou sua ação na defesa dos agricultores, liderando inúmeras mobilizações por melhores preços para o produto, quando o mesmo se encontrava defasado. Por isso quero rebater algumas mentiras divulgadas na televisão, apresentando números reais sobre quem são os produtores e como suas propriedades estão organizadas.
O tamanho médio da propriedade de um produtor de tabaco é de 15,2 hectares, tendo uma área média plantada de 2,5 ha de tabaco. E para desmentir o que foi mostrado na tal reportagem, de que o tabaco destruiu as florestas do Vale do Rio Pardo e nos demais municípios produtores, as pesquisas demostram que a área média com floresta nativa é de 2,5 hectares com mais 1,7 hectares de floresta plantada. Em média a propriedade dos fumicultores mantém uma cobertura florestal de 27,2 % de sua área total!
 Mais uma vez enfatizo que as 144.300 famílias produtores de tabaco, distribuídos em 574 municípios dos três estados do Sul, têm suas propriedades diversificadas, embora a renda média com o tabaco atinja 47,5%.
 Finalizo reafirmando: não tentem criminalizar nossos produtores de fumo, eles são agricultores, que não tem acesso a crédito oficial, são pessoas que da terra retiram o seu alimento e vão continuar produzindo tabaco enquanto for rentável e houver mercado consumidor, sendo 85% do produto exportado, portanto trazendo divisas para o país.
 Lembrando também que um dos grandes problemas do setor como um todo, mas com consequências sérias sobre os agricultores, é o contrabando que já atinge mais de 30% do consumo de cigarros no Brasil, gerando perdas que superam os 130 bilhões de reais por ano, além de ser um produto de qualidade duvidosa!

Foto Sérgio Francês

 

 

 

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