País respira otimismo com previsões de crescimento

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OPINIÃO
Diante das crises anteriores enfrentadas pelo Brasil ao longo dos últimos anos, não restam dúvidas de que a de 2008-2009 foi a que menos estragos causou ao País. Com uma economia estável, nível de inflação baixo e um volume de reservas externas extremamente confortável, o País pode aplicar rapidamente uma política de suporte à produção, baseada principalmente na concessão de incentivos a setores importantes da economia e à expansão do crédito para manter ativo o mercado interno.

No auge da crise, no final de 2008, quando o mundo parecia rumar para o caos, o presidente Lula exortava os brasileiros a irem às compras. Ainda que a indústria, um dos motores do desenvolvimento nacional, tenha enfrentado uma queda de 7,4% durante o ano passado, o pior índice para o setor nos últimos 20 anos, a recuperação começou já no último trimestre de 2009 - a produção de dezembro teve uma expansão de 18,9% sobre o mesmo período de 2008 - e o Brasil entra em 2010 com uma das melhores perspectivas de crescimento em todo o mundo.


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sempre otimista, atribui essa rápida recuperação ao restabelecimento da confiança tanto dos empresários quanto dos consumidores - e para comprovar apresenta os dados que mostram o nível de confiança da indústria que pulou de 76 pontos em fevereiro de 2009 para 110 pontos neste mês. O nível do consumidor brasileiro também aumentou de 95 pontos para 110 pontos no mesmo período. Com a expansão dos investimentos, que deve garantir ao final do ano um crescimento do PIB de cerca de 5%, aliado a um bom comportamento dos índices de inflação e do aumento do crédito, o País já retomou o mesmo nível de atividade de antes do início da crise que devastou o mundo a partir da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, o quarto dos Estados Unidos, que não resistiu e se declarou em quebra perante o tribunal de Nova Iorque depois de perder 77% do seu valor de mercado em apenas uma semana. 
No Brasil, garantida a produção, os consumidores se mostram dispostos a movimentar o varejo. A demanda interna, segundo cálculo de especialistas, deve atingir este ano a marca de 7,3% - o que é também uma garantia de criação de milhares de postos de trabalho e de avanço da massa salarial, que turbina o consumo e garante a solidez do mercado interno para a produção fabril e agrícola.


Tão confiante está o governo federal na retomada do crescimento, confirmada na pesquisa do IBGE que mostra o avanço de 66% dos produtos industriais investigados na pesquisa de dezembro passado, bastante superior aos 55,8% apurados no mês de novembro, que nem mesmo as naturais ebulições de um ano eleitoral chegam a preocupar as autoridades econômicas. Fora uma ou outra inquietação com o nível da taxa Selic para o resto do ano, o País respira otimismo.


Essa percepção de bom rumo no desenvolvimento do Brasil não se trata apenas da expressão de um desejo das autoridades econômicas, que naturalmente têm a tendência de mostrar uma face mais otimista, até para não levar o desânimo aos mercados. Um estudo recente da consultoria PricewaterhouseCoopers realizado para o Fórum Econômico Mundial deste ano ouviu mais de mil executivos de empresas de grande porte sobre o futuro próximo da economia global. E para esses funcionários altamente qualificados, o Brasil deve ser o país que mais vai gerar empregos ao longo de 2010 em termos proporcionais ao seu número de trabalhadores. Do total dos entrevistados, 27% acreditam em alta de 5% das vagas de trabalho, 7% calculam a expansão entre 5% e 7% e 27% dizem que esse aumento pode ultrapassar os 8%. Os brasileiros esperam que todos estes bons prognósticos para este e para os próximos anos estejam corretos.