Votação do projeto Ficha Limpa fica para março

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Cada partido indicará um representante para formatar um novo texto
Cada partido irá indicar um representante para tentar formatar um texto alternativo ao projeto de lei de iniciativa popular que veta a candidatura dos políticos com condenação na Justiça, o chamado projeto Ficha Limpa.


O pedido foi feito ontem pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), em reunião com líderes partidários da Casa. Temer quer votar em março a proposta e disse aos líderes que a Câmara precisa dar uma resposta à sociedade.

O projeto, com a força de mais de 1,3 milhão de assinaturas, foi entregue à Câmara em 29 de setembro do ano passado. Há resistência em quase todos os partidos sobre o mérito do projeto, porque estabelece que não se conceda registro eleitoral aos políticos que tenham sido condenados em primeira instância, por crimes graves, como crimes contra a vida e contra a administração e patrimônio públicos, em ações feitas pelo Ministério Público.
O projeto, conjuntamente com outro texto de teor semelhante, que já passou pelas comissões, está pronto para ser votado em plenário. Os líderes concordam que é preciso votar o projeto antes das eleições.

"Majoritariamente vamos trabalhar para encontrar uma solução. É preciso dar uma resposta à sociedade. Existem resistências em todos os partidos, a preocupação em não fazer pré-julgamento, não aprovar um texto inconstitucional. Vamos encontrar uma fórmula", afirmou o novo líder do PT, Fernando Ferro (PE).

O novo líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), disse que o partido defende a votação do projeto de iniciativa popular em março. Segundo ele, o DEM tem em seu estatuto o veto a candidaturas dos que têm condenações na justiça e está habilitado a discutir o mérito da proposta.

Indagado sobre os problemas enfrentados pela legenda depois da denúncia do mensalão do DEM no DF, Bornhausen afirmou: "O mensalão do Distrito Federal é do Distrito Federal. Os responsáveis responderão pelos seus atos. Aos partidos cabe tomar decisões em sintonia com a sociedade e a sociedade exige uma resposta para este projeto antes das eleições. Todos têm que entender que ou os políticos mudam a política ou a população muda os políticos".