As Mulheres e a construção de uma nova sociedade Se pensarmos nos espaços que, progressiva e crescentemente, a mulher vem ocupando na sociedade, temos que reconhecer o quanto caminhamos. Mas esta constatação precisa ser tão somente um alento para prosseguirmos em uma estrada que apresenta muito chão pela frente. Há ainda muito que caminhar, há muitas injustiças por desfazer. Historicamente, a sociedade se organizou sobre pilares machistas, onde as mulheres foram relegadas a papéis secundários e, mesmo quando foram protagonistas de fatos importantes, a história oficial omitiu. Não podemos pensar em um novo modelo de sociedade sem olhar para a especificidade da situação da mulher, que é na maioria das vezes pobre, além de discriminada. Atualmente, as mulheres representam 51% da população mundial, são, no entanto, 2/3 dos pobres no mundo e também dos analfabetos. A construção dessa nova sociedade que defendemos e queremos deverá passar, necessariamente, pela nossa ocupação nos espaços políticos, nas instâncias de decisão. É preciso fazer política e ocupar posições de poder em todos os cantos, no âmbito do Estado e da sociedade civil organizada. É importante que nós mulheres estejamos presentes, também, nas direções dos movimentos e das organizações, contribuindo para dar um norte, participando da gestão social do espaço público, do que é de todos, da coletividade. É importante, também, afirmar valores de liberdade, solidariedade, respeito às diferenças; relações de diálogo e de transparência. Enfim, afirmar relações diferentes na política. Antes de tudo, porém, é fundamental desejar mudanças, construir projetos de novos cenários e se dispor a concretizá-los. A nossa luta é pela igualdade de direitos e de oportunidades.
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