A saúde e o pré-sal

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O caos na saúde pública é assunto recorrente e dolorido. Desta vez, é o Hospital Conceição que expõe as suas mazelas, a sua incompetência para fazer frente à demanda. Infelizmente, não esperem solução com a manutenção do atual modelo.
A verdade é que somente teremos saúde digna se existir apenas um sistema, público e universal, de modo que todos os brasileiros, pobres, ricos, trabalhadores, empresários, políticos ou não, entrem na mesma fila. Propago uma mobilização nacional para que, pelo convencimento, se mude a Constituição com a abolição da saúde privada.
Ou, então, uma decisão política de priorizar a vida: que os governos garantissem um orçamento de R$ 300 bilhões anuais – 10% do PIB. Na medida em que o SUS avance, atendendo com decência as atuais gerações, desaparecerá o mercado para negociar saúde. Para tanto, a concepção do SUS está correta e os seus mecanismos de gestão em constante aperfeiçoamento, em tese, são suficientes para efetuar e fiscalizar as ações de saúde.
Falta, acima de tudo, financiamento para executar políticas plenas, humanas, em 190 milhões de brasileiros. E isto, no presente modelo, não acontecerá. Existe um teto na evolução do SUS, que preserva o filão com valor comercial, a média complexidade, nas mãos da iniciativa privada. Ou muda a lei, ou, numa disposição de governo, se encaminha a solução: triplicarem-se os gastos com saúde pública.
Quando o presidente e os congressistas fizerem os seus check-ups nos mesmos serviços que o usuários do SUS, a saúde melhorará. As universidades aprimorarão a qualidade do ensino. A remuneração dos médicos será adequada. Os exames de alta tecnologia, frutos da inteligência da humanidade, estarão à disposição de todos e não, primeiro, e bem antes, dos abastados. Os hospitais públicos serão equipados. A prevenção avançará, promovendo a saúde desta geração, ao contrário de ser um prenúncio de saúde para o futuro. E os que pagam impostos e querem viver mais e melhor? Vão continuar aceitando que quem tem dinheiro possui mais oportunidades e meios, na medida e no tempo hábil, de preservar ou recuperar a sua saúde? Não! Têm legitimidade de usufruir, com equidade, este direito fundamental, já.
Embora mantendo os dois sistemas, mas aperfeiçoando o SUS, o sistema privado não se sustenta. Extingue-se por si.
Consoante, devem-se apontar as fontes de financiamento. A tese, anterior ao pré-sal, indica a reserva de um quinhão maior nas riquezas a serem descobertas e nos avanços tecnológicos. Sustenta a abertura de cassinos para subsidiar este campo. Advoga uma CSS dos mais ricos que não pagariam os planos de saúde e contribuiriam de forma diferenciada com o sistema.
Agora, o pré-sal é a certeza de um porvir promissor para o Brasil. Que seja, antes, uma garantia para a nossa geração. Impõe-se uma campanha objetivando estabelecer prioridade e uma parcela substancial dos recursos advindos do pré-sal para a saúde.